This page needs Javascript activated. Essa pagina precisa de Javascript ativado

Home » julho 2007 » A sindrome da incompetencia generalizada

A sindrome da incompetencia generalizada

A Síndrome da Incompetência Generalizada
Arnaldo Jabor

Não há remédios para a doença administrativa que assola o país.
A sordidez do que acontece no Brasil é tal que até criticar o governo só serve para legitimá-lo. Este governo não merece nem uma critica à “luz da razão”. Tem de ser analisado como um exame de patologia clínica.

Estamos sendo infectados por uma doença histórica. Chama-se a “síndrome da incompetência generalizada”. Ou então, “falência múltipla dos órgãos públicos”.
Essa doença se espalha a partir do centro do Executivo, do topo da pirâmide de poder. Lula foi a bandeira de bolchevistas e intelectuais durante décadas. Era a esperança do velho populismo e dava um rosto operário concreto aos ideólogos. Controlado pelos comandados de Dirceu, acabou eleito pela habilidade realista de um publicitário.

(...)

A incompetência paralítica deste governo é uma mistura esquisita de restolhos de slogans socialistas com uma adesão custosa e desconfiada ao nosso subcapitalismo, a não ser nas regras “macro” que FH deixou, em que Lula, por instinto, não mexe.
Essa ambigüidade paralisa processos e projetos. Nosso Estado quebrado não pode fazer desenvolvimentismo, e a desconfiança congênita na iniciativa privada impede o crescimento. Só respeitam os bancos e os grotões eleitorais. Isso, misturado a uma vaga idéia de “futuro” que habita a tosca cabeça dos sindicalistas oportunistas e velhos bolchevos, cria uma desvalorização do “aqui e agora”, como se o “presente” fosse algo desprezível.
Assim, tudo fica parado no ar, nada sai do papel. As promessas e os anúncios bastam, a realização é supérflua. Sem falar na infecção do baixo aliancismo — o que faz a roubalheira ser vista quase como como um mal necessário e inevitável (“Oba!”), o que permite a predação da República com a consciência limpa. Também a invasão de cargos técnicos por hordas de sindicalistas sem preparo, ignorantes, gera a infecção da burocracia labiríntica. A confusão mental e a obsessão paranóica da “conspiração” criam mecanismos de defesa que impedem qualquer eficiência, em nome de uma vigilância contra os inimigos (nós).
Assim, nada anda com o passo eficaz do capitalismo. Em dez meses de caos aéreo, com 354 mortos, só agora se tocaram para o óbvio de medidas anunciadas e que talvez nem sejam cumpridas. A isso, claro, some-se o caráter preguiçoso e deslumbrado do Lula, que se declina por todos os escalões do Estado, como uma degeneração de qualquer fé ou iniciativa.
Se o comandante berra “Dane-se!”, todos depõem suas armas. Além de não saber o que fazer, Lula não tem saco para nada. Sua atitude de se colocar acima da política cotidiana desqualifica a própria política, como sendo coisa menor, o que é uma sopa no mel para corruptos e vagabundos.
Por outro lado, como a economia mundial é favorável, temos a impressão de saúde, e os danos ficam ocultos e só ficarão claros com a próxima crise. Em vez de ser usada, a economia mundial está sendo abusada, como uma droga entorpecente.
Pela ausência de projetos, resta aos donos atuais do poder manter comprado o apoio das “massas”, com Bolsas-Família e aumentar gastos públicos em contratações e falsas iniciativas. Tudo que tinha de ser reformado não o será, pois “reforma” repugna revolucionários.
É isso aí. Tudo que o governo anterior introduziu e que poderia nos fazer avançar foi paralisado. Estamos diante de um grave retrocesso histórico.
A tragédia de Congonhas é uma metáfora sinistra de nosso momento: o avião estava muito veloz para frear e muito lento para arremeter. Como o Brasil. Não só nada avança, como o que antes funcionava está quebrando.
Além disso, os germes cruzados com muitas cepas, fortalecidos por décadas de superstições populistas, são muito resistentes. Não há antibiótico conhecido contra esses micróbios. Nenhum, muito menos o PSDB, que morreu, contaminado por si mesmo.

« Deficiente | Home | Maravilhas da fauna federal »

Comentários

Fui checar e ouvi a mensagem em http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/arnaldojabor.asp.

Isto aqui, ô ô, é um pouquinho do Brasil iá iá.

Pra mim Jabor é a voz da sensatez nesse país-zinho de pensadores pelegos!
Podem achá-lo ácido, mórbido, etc, mas quem acha isso? Os lesados, creio.