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Senna

senna.jpg Há quase 10 anos, marca mágica pelo redondo do numero, morria com Senna o Brasil que dava certo. E dava certo pela sua dedicação e obstinação pela vitória, caracteristicas marcantes na personalidade do mais rapido piloto dos anos 80 e inicio dos 90. Certos rituais mudam a vida das pessoas, mudam a vida de um país. Me lembro que todo domingo que tinha Senna era garantia de um domingo feliz ou de praguejamento contra Prost, seu arqui-rival nas pistas. Afinal, como pode aquele insignificante narigudo francês fazer frente ao piloto das estrelas, reverenciado em Monaco como um rei desde que arrebanhou, mui justamente, de Graham Hill o titulo de Mr. Monaco. Era naquela pista que Senna deixava claro porque era o melhor. Lá o que importa é o homem e não a máquina.
Recordes foram feitos para serem quebrados e depois de 10 anos vários dos de Senna foram superados, porem o recorde da emoção transmitida ao dirigir, tipica de um brasileiro nato em qualquer atividade, jamais será superado pela racionalidade mecanica de um Prost ou de um Schumacher. A comparação pode ser remetida a diferença entre ver a reação da seleção brasileira no segundo tempo perdendo um campeonato mundial frente a França versus a fria postura de uma Alemanha quando já estava irremediavelmente batida por 2 a zero na mais recente disputa do futebol mundial. Essa é a essencia do espirito brasileiro que Senna conseguiu levar para dentro do cockpit de um mundo em que dinheiro, fama, marketing, politica e artimanhas são a alma do negocio. Perder dói tanto na alma quanto o regogizo pela vitória.
Ver Senna vencer era soltar o grito da justiça preso na garganta, era chorar de emoção ao ver o espoucar do champagne depois de mais um milagre de um dos deuses das pistas, que vencia mesmo não tendo o melhor carro.
Somente pude ver Senna correr ao vivo uma vez em minha vida, nos idos de 83 em Jacarépaguá pilotando sua Toleman. Sentado nas arquibancadas em uma carioca tarde quente e abafada percebi a magia que exercia o desajeitado Senna ao passar com seu carro semi-alaranjado no retão. A multidão vaticinava pelos berros e apupos o alvorecer de um grande campeão, melhor dizendo, inigualavel campeão. Piquet, um incontestavel vencedor das pistas, e naquela tarde tambem presente como um dos protagonistas, que me perdoe mas a emoção que Senna passava era sentida no ar e no vento morno que banhava a Barra da Tijuca naquela tarde.
Depois disso quantas voltas mais rapidas, quantas vitorias, titulos, champagnes, bonés (tenho o meu original do Nacional guardado a 7 chaves com autografo do campeão), camisetas, jornais, faixas, buzinaços e chopp celebrando mais uma conquista. Era o sentimento legitimo de que o Brasil é uma potencia no mais elitista dos esportes das grandes potencias.
Dois anos após a morte de Senna acompanhei um amigo em sua tentativa de compra de um home theather, novidade na época, em uma loja estrategicamente escondida ali em Ipanema. Lembro que o dono para demonstrar a nitidez da imagem e do som em um telão de 100 polegadas turbinado por caixas Bose colocou para rodar o que foi a melhor ideia que jamais pude ter do que era o pilotar de Senna. Era um laser disc japones, na era pré-DVD, de um documentario sobre Senna. Entre outras maravilhas do documentario estava a filmagem de dentro do cockpit de uma volta completa com Senna no comando de seu McLaren no circuito de Suzuka ainda no tempo em que o cambio era manual, o que sou totalmente contra terem modificado. Viajar com Senna ao sabor de um vento de 300 Km é uma experiencia que jamais esquecerei.
A cada curva uma rotação completa da Terra, a cada reta o decolar rumo ao céu azul do país do sol nascente.
Deixei de acompanhar Formula 1 desde então.
Sem Senna, nunca mais.

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Comentários

Fabio, foi só vc. não. Todos que conheço nunca mais acompanharam a F1. Aliás, acho que quase o Brasil todo...
Foi uma data marcante e muito triste. P/ mim pq nesse dia tb perdi uma amigona de uma forma trágica e bem típica da violência deste nosso RJ... e no dia do meu aniversário! Ou seja, lembrar dessa data é doloroso em todos os sentidos.
Ele era o The Best, indiscutivelmente.
Beijão

Oi, Fábio,
eu ainda vejo, não acompanho, a fórmula um. Mas, perdeu a graça, perdeu o encanto. Vejo, como poderia deixar de ver; o que aliás cansa de acontecer.
Coisa essa, deixar de ver, impossível de oocorrer quando tinhamos o Airton.
Lembro-me de que perda igual, ou quase igual, só quando perdemos o Tom Jobim.
Foram momentos de real tristeza pra mim, pra todos creio eu, quase intransponíveis.
É verdade, com o Airton, perdemos muito da nossa auto-estima, do nosso orgulho. Perda irreparável!!!
Forte abraço
Fernando Cals

Eu também, nunca mais acompanhei...
acho que esse foi seu post mais emocionado que já li, Fábio... :o)
Beijos...

... E uma lágrima escorre do meu rosto.
Belo texto.
Inspiração 10.

[]'s

Impressionante, ele marcou mesmo, uma figura inesquecível.

bjks

Hoje, após assistir a mais uma monótona vitória do alemão (sim, eu ainda insisto em acompanhar a F-1) escrevi um outro texto sobre o assunto. Mas não posso deixar de admitir: Senna faz uma falta danada. Até hoje me emociono ao rever, por exemplo, aquela primeira volta fantástica no GP de Donington Park, em 1993, ou as imagens do público ensandecido invadindo a pista de Iterlagos para carregá-lo nos braços, após sua última vitória no Brasil.

esse foi "O CARA"......
boa semana Fabim!

[ ]ção
Rems

Fábio, como esse texto emociona viu?
Lindoooo!
Faz a gente lembrar tanta coisa boa do passado, do orgulho de ser brasileiro, do fenômeno que mexe com o povo até hoje, da simplicidade, da autenticidade, da falta que ele faz!
E pra variar, nesse fatídico dia, eu estava completando 18 anos...
Sem Senna, a fórmula 1 perdeu o encanto, o brilho... o herói...

Beijos

Beleza de post, patrão!
Tô de volta. E vejo que o Cristo também voltou para o template.
Então tudo certinho, como sempre.
Abraço.
(8{>

A múmia voltou ;-)

há,há, agora que vi que ela está aí no degrau de cima.

[]´s

A curiosidade matou o gato, ainda bem que aceitaram meu hotmail. Só não consegui convidar outras pessoas, o botão trava, o q será?
Será que a coisa é útil ou só momentânea? :-)

Não devemos pensar assim. Ele foi único mas devemos guarda a sua lembrança e acreditar nos outros que estão vindo. Lembrança doce do ontem e esperança no dia de amanhã