Being Jerry Seinfeld
A localização é yuppie, upper west side, Manhattan, esquina da 112th com Broadway. É por lá que também estende seus dominios a "upscale" Columbia University. E devido a proximidade com essa ultima que Tom pode garantir o "bread" seu de cada dia. Se você é, ou foi, um dedicado telespectador do seriado Seinfeld, e quiser sentir-se por alguns momentos na pele de um dos 4 personagens que em um episódio sim e o outro também sempre se encontravam em um autentico "diner" novaiorquino fundado nos anos 50, é lá que você deve ir: Tom's Restaurant.Cantado por Suzanne Vega na musica Tom's Diner, e mantendo na fachada o letreiro imortalizado no seriado do Jerry, o botequim do Tom tem tudo aquilo que você deseja para se sentir um "casual" da Big Apple degustando o mais anti-cardíaco dos desjejuns ao lado de uma penca de promissores - e barulhentos - operadores do mercado financeiro em Wall Street.
Das janelas inteiriças com esquadrias de madeira que desnudam seu interior, aos cabides para casaco postados em cada "booth"- mesas com bancos para 2 pessoas de cada lado forrados de plastico vagabundo, cada detalhe parece realmente saido de um "set" de filmagem woodyaliano. Tendo conseguido entrar, pois a fila de espera fica do lado de fora, você pode optar ou pelos banquinhos ao redor do longo balcão do bar ou por uma das já mencionadas mesas apertadas com tampo de fórmica engordurada. As garçonetes são aquilo mesmo que você imagina: senhoras com os mais variados sotaques ininteligiveis e que lhe concederão 30 segundos exatos para percorrer a extensa lista de opções no cardápio plastificado tradicional de lanchonete. Tudo o que você imaginar lá tem. Desde a sopa do dia, passando por "triple deckers" até um "steak" com fritas que alimenta duas pessoas. Nota de rodapé no cardápio: na hora do "rush" não servimos pessoas desacompanhadas.
Pedi um pastrami com ovos mexidos, acompanhados a revelia por fritas e 2 torradas Petrópolis (definição propria) e um bagel de Lox e Cream Cheese. Um milk-shake de chocolate duplo completou a orgia gastronomica.
O pastrami veio queimado. Os ovos, sem sal é claro, secos. A manteiga, daquela de avião, sem gosto de nada. O bagel em estado de rigidez cadaverica. Salvou-se o salmão cuja qualidade era exemplar.
Na hora de pagar, nada como estar na maior cidade do pais mais moderno do mundo capitalista: "In God we trust, all others must pay cash". Sorte que eu tinha o suficiente no bolso para não passar o vexame de ter que correr até o caixa eletronico mais perto.
Na hora de sair resolvi ir ao banheiro e na volta percebi que os demais haviam sido expulsos da mesa para dar lugar a próxima trupe de ressaca.
Melhor brunch que já comi em Nova York.
O que se vende aqui não é o produto, mas a fantasia.