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Culture Shock

Hoje zapeando por aquela lástima em que se transformou o site do jornal O Globo, cujo responsavel tem média culpa porque todos os sites de jornal no Rio estão adotando a mesma filosofia espanta-internauta combinada com a assine-banda-larga-sua-besta, passei pela noticia do acidente de carro na Lagoa - que a essa altura do campeonato está mais macerada do que doce de jaca em compota à venda no sopé da cachoeira "véu de noiva" de qualquer, você escolhe, cidade serrana (não sei porque toda cidade serrana no Brasil tem que ter uma queda d'agua chamada "véu de noiva", é a unica regra sem exceção) e para variar novamente fico pasmo com cenas [link] que já não fazem mais parte do meu cotidiano há tempos fugidios.
Explico melhor, a visão de um carro transmutado em um amontoado de ferro retorcido não é assim tão dificil de se ver por aqui nos EUA, mais raramente é verdade mas isso já outra estoria, o que me chocou foi ver a completa ausencia de servidores publicos prestando assistencia no local. Não sei qual foi o tempo decorrido entre o acidente e a tal foto mas pelo aglomerado de curiosos ao redor da morbida cena me leva a deduzir que pelo menos um par de horas já havia passado. Não se vê, facilitado pelo angulo largo da foto, um policial sequer isolando a área próxima ao carro, ou o que sobrou dele, mesmo que a ajuda médica ainda não tivesse chegado. O que se vê são pessoas quase que pisando por sobre cadaveres ainda na posição em que ficaram depois do choque e mais triste ainda é ver um ser humano em sua hora final jogado de qualquer maneira sobre a lama da vala do meio-fio. E isso aconteceu no coração da zona nobre carioca - nobre para a midia Zona Sul porque não troco os petiscos do Costinha (se Deus quiser ainda deve estar por lá) em Vila Isabel por nada nesse mundo - onde supostamente cercado de delegacias (Leblon, Gávea, etc.) e hospitais (Lagoa, Miguel Couto, etc.) a assistencia deveria ser no minimo dentro da meia hora no relógio.
Daí vem a minha tese ainda embrionaria que de nada adianta ser rico no Brasil, que mesmo tendo dinheiro qualquer infortunio sofrido pelo cidadão brasileiro em local publico o tratamento recebido por você, caro contribuinte, é do maior desprezo possivel. Eu não consigo imaginar um acidente dessa proporção que não estivesse cercado de pelo menos 3 carros de bombeiros, 10 ambulancias e mais uns 20 carros de policia caso acontecesse aqui ao lado de casa. E o inicio de incendio no carro das vitimas da Lagoa foi apagado pelos próprios populares. E que uma das jovens ainda estava viva depois de arremessada na calçada e por lá morreu. E que os corpos permaneceram estendidos no asfalto em frente ao metro quadrado dos mais caros por 6 horas.
Você que se acostumou com isso acha que é normal. Ou vai ver que anormal é um certo país que conheço sempre extensamente criticado pela mídia tupiniquim popularesca. Que não sabe da existencia desse outro mundo anormal.

PS: Mas o "puder" publico foi logo correndo ver se processa o dono da boite onde os pobres estavam. Mas isso, para variar, é outra estoria.

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