Dançando conforme a musica
Os mais jovens provavelmente nunca tinham visto o Brasil levar um "baile" como o de anteontem. Eu, um pós-adolescente, não lembrava mais. Ali do lado está o video do segundo gol da Holanda contra o Brasil feito pelo inigualável Johann Cruyff, cérebro do time na Copa de 1974. A Holanda de 74 simplesmente trucidou todas as equipes ditas de ponta do futebol sul-americano em uma sequencia de vitórias que perduram até hoje como a maior "lavada" que os times latino-americanos já sofreram em Copas perante uma seleção européia. Para vocês terem uma idéia os placares foram: 2 x 0 no Uruguai ainda na fase classificatória, 4 x 0 na Argentina e 2 x 0 no Brasil, ambos na fase final. Um detalhe, os jogos ainda não eram de do tipo mata-mata na segunda fase da Copa. Vi esse jogo e me lembro dele como se fosse ontem. Lembro do desespero de um Luiz Pereira cometendo falta grave e sendo expulso em uma época que expulsão era somente de fratura exposta para cima. Mas porque me lembrei tanto desse jogo? Porque o jogo de anteontem contra a França foi o que mais se aproximou de humilhação similar já sofrida pela seleção brasileira. Para falar a verdade, foi pior.
Mal comparando épocas diferentes embora o "baile" que o Brasil - sob o comando do mesmo Zagallo - levou da Holanda em 74 tenha sido igualmente incontestavel, temos que levar em conta alguns fatores: o intercambio de jogadores não era globalizado como hoje, o acesso a informações era muito mais restrito e a Holanda era efetivamente o melhor time do planeta incluindo o melhor jogador disparado da época e lenda viva Johannes Hendrikus Cruyff.
Muito bem, tomamos um baile inédito na história do futebol brasileiro mas não jogamos como uns frouxos.
No jogo de anteontem também tivemos a oportunidade de assistir uma lenda viva jogar, Zinedine Zidane, já em final de carreira mas ainda dono do singular toque refinado que fez dele o melhor profissional da categoria no mundo ao final dos anos 90. Zidane ganhou uma Copa, em 1998, enquanto Cruyff decidiu abdicar do time holandes antes de uma nova tentativa em 1978 ganha pela Argentina em uma Copa para lá de polemica até hoje, mas isso é outra estória.
O que agrava a humilhação de anteontem e o transforma em vexame são fatos como: o craque máximo do adversário estar em final de carreira segundo declaração do próprio, não ser a França o melhor time dessa Copa (que na minha humilde opinião foi a Argentina já eliminada nos penaltis pelo azar de ter jogado contra os fortes donos da casa), ter esse time da França feito uma primeira fase duvidosa correndo o risco de ter sido eliminado novamente como em 2002 e finalmente, ser o jogo de anteontem supostamente uma motivação extra para um tira-teima da final de 1998 que deveria estar entalada até hoje na garganta dos atletas que participaram daquele jogo. Eu que não participei ainda estou com aquilo entalado e parece que ainda vai me levar muito tempo para engolir. Infelizmente desde então eu e vocês apenas engolimos o Zagallo.
Mas nada disso serviu de estimulo para aquele bando que se achava seleção e jogaram sim, como um time de frouxos.
Acho que o vexame de anteontem trará consequencias, negativas obvio, para os que do jogo se ausentaram muito mais duradouras do que sequer imaginam. Os protagonistas mais velhos desse desastre poderiam ter encerrado suas carreiras com uma bela exibição de como se perde sendo um campeão contudo resolveram optar por jogar uma pá de "merde amarela" no parágrafo final de seus curriculos.
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Comentários
O que se questiona aqui no BR não é a derrota em si, que pode acontecer no futebol, mas como aconteceu tudo. Os jogadores nao foram dignos de nossa camisa, nao honraram nossa tradição. Andaram em campo, o jogo todo, e o gol da França reflete a importancia que eles davam a partida: ao inves de marcar o cara, vao ajeitar meioes... :P
Vergonha nacional! Dane-se o passado deles, o que importa é o agora.
Publicado por: Evilasio | julho 3, 2006 5:32 PM
A impressão é de que a Seleção entendeu errado o discurso lido pelo Cafu antes do jogo, e achou que combater o racismo era equivalente a jogar sem um pingo de raça. Ou de que exageraram no fair play e deixaram o Thierryvel Henry livre e solto como uma questão de gentileza. Só pode ser isso, não é possível conceber uma equipe tão frouxa como a que testemunhamos no crime contra o futebol que vimos no sábado. Agora, que eles comam o croissant que o diabo amassou!
Publicado por: Inagaki | julho 3, 2006 7:30 PM
Eles tem que comer uma baguette via oral para não dizer outra coisa.
Publicado por: Fábio S. | julho 3, 2006 8:14 PM
Pelo menos, os hermanos não tiraram sarro de mim mas, não teve um que não perguntasse o que aconteceu... nossa, que vergonha de tudo isso...
Beijos, Fábio!
Publicado por: Deize | julho 3, 2006 8:38 PM
Fábio, o pau está comendo lá no blog do Roberto Carlos:
http://www.terra.com.br/esportes/copa2006/blogs/robertocarlos/index.htm
Publicado por: Idelber | julho 3, 2006 10:10 PM
Uh Uh !
Publicado por: Fábio S. | julho 4, 2006 7:11 AM